Indicadores dos EUA reforçam redução de estímulos em setembro, diz LCA

Eduardo Tavares – Arena do Pavani

Três indicadores econômicos dos Estados Unidossurpreenderam o mercado em junho e julho, vindo melhores do que o esperado. Com isso, aumentam as chances de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) começar a reduzir o volume de seu programa de estímulos via recompra de títulos, segundo um relatório da consultoria LCA.

O acompanhamento das variáveis macroeconômicas nos próximos meses será importante diante das declarações feitas hoje pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que os próximos passos do Fed não estão decididos.

A inflação ao consumidor de junho foi de 0,5%, em relação a maio, ficando 0,1 ponto percentual acima da mediana das projeções dos analistas americanos. A inflação acumulada em 12 meses passou de 1,4% para 1,6%.

Segundo o relatório da consultoria, a produção industrial também surpreendeu os analistas, subindo 0,3% em junho, após ficar estável em maio. A mediana das projeções do mercado era de 0,2% de alta. O resultado foi puxado pelo bom desempenho da produção de automóveis, que cresceu 1,4% na comparação mensal, e de eletrodomésticos, com alta de 2,2%.

Em julho, o índice de confiança das construtoras de casas chegou ao maior patamar desde janeiro de 2006. “A melhora da confiança é animadora por dois motivos principais”, lembram os analistas da LCA. Em primeiro lugar, o temor de que a recente alta das taxas de juros das hipotecas pudesse atrapalhar a recuperação do mercado imobiliário americano diminuiu.

Além disso, “esse indicador tem elevada correlação com a construção de novas casas, o que dá indícios fortes que o setor tende a permanecer como carro-chefe da retomada da economia dos EUA”, diz a LCA.

Segundo os analistas, o conjunto de surpresas favoráveis eleva a probabilidade de o Fed reduzir o ritmo de seu atual programa de compra de ativos, que hoje é de US$ 58 bilhões por mês, na reunião de setembro.

Depoimento na Câmara

Bernanke fez um pronunciamento hoje de manhã na Câmara dos Representantes. Segundo ele, a política de recompra de títulos “não está em modo predefinido”. Isso significa, de acordo com Bernanke, que o volume de recompras pode aumentar ou diminuir, dependendo das condições da economia.

Embora diversos indicadores estejam apresentando melhora, o principal termômetro do Fed para a recompra segue sendo o nível de desemprego, que começa a recuar dos 7%. Assim que houver sinais consistentes de melhora, o Fed deve tirar o pé do acelerador e reduzir o volume de recompras.

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