Eike Não é o Único Culpado Pelo Fracasso.

Por S. Kanitz

Jovens que querem mudar o Brasil, que pensam grande, que voam alto.

O Brasil precisam de muito mais Eikes Batistas, não menos. 

Mas jovens visionários sonham alto, e por isto a Ciência da Administração sugere colocar um contraponto nessas ambições, de duas formas.

Primeiro, a boa prática administrativa propõe a criação de um Conselho de Administradores, ou um Conselho de Administração.

Um conselho supostamente composto de velhinhos aposentados, com cabelos brancos e experiência, para segurar os ímpetos dos visionários.

Calma Eike, o Sr. nunca viu uma retração como a de 1972, seus planos estão otimistas demais. Vamos cortar um pouco de suas asas, para o bem da OGX.”

Veja a lei 10.303 que nós administradores criamos justamente para este fim.

Art. 142. Compete ao Conselho de Administração: 

I – fixar a orientação geral dos negócios da companhia;

O estatuto da OGX é um pouco mais específico.

1. Estabelecer os objetivos, a política e a orientação geral dos negócios da Companhia;

O Conselho estabelece a estratégia de longo prazo da OGX, e o Eike toca o dia a dia, respeitando o plano de longo prazo do Conselho de Administradores.

No caso da OGX isto era duplamente importante porque Eike não tinha qualquer formação e treinamento em Administração de Empresas.

Eike é formado em Engenheira de Mineração, e só. Basta ler os cursos que fez e perceber a falta de estudo formal em como administrar uma empresa.

Não se ensina em Engenharia Planejamento, muito menos Estratégico, cuja literatura é mais extensa.

O Conselho de Administração da OGX Petróleo e Gás Participações S.A. é composto por 9 (nove) membros, sendo 5 (cinco) independentes (55%), ou seja o Conselho tinha total liberdade jurídica de contrariar o conhecido ego de Eike Batista.

Mesmo se Eike controlasse todos os Conselheiros, mesmo assim o Conselho teria a obrigação moral de contrariar a personalidade dele, por serem Conselheiros da OGX empresa, e não Conselheiros do Eike Batista.

As perguntas que se deve fazer neste caso da OGX são:

Por que então o Conselho de Administração da OGX não controlou efetivamente o Eike Batista do seu maior defeito, pensar grande demais?

Por que o Conselho de Administração não manteve os planos dentro da capacidade real da empresa, experientes e mais velhos que todos eram?

Por que todo mundo está agora culpando Eike Batista, que estava fazendo o que sabia fazer, e não o Conselho de Administração, que pelo jeito não fez o que deveria?

Basta ler a capacitação profissional deste Conselho de “Administração”, para perceber a enorme distorção. Dados da própria OGX.

1. Eliezer Batista da Silva ( pai)  ”É graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Paraná, com pós-graduação e treinamento nos Estados Unidos.”

2. Cláudio Thomaz Lobo Sonder  ”É graduado em  Ciências Econômicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

3. Eduardo Karrer   ”É graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, MBA em Administração Pública pela PUC-RJ.

4. Ellen Gracie Northfleet  ”É graduada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-graduada em Antropologia Social pela mesma. “

5. Luiz do Amaral de França Pereira   “É Engenheiro Civil graduado pela Universidade Federal do Paraná, participou do Executive Program da Stanford University.

6. Paulo Monteiro Barbosa Filho  ” É graduado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Petrópolis, com MBA em Gestão e Planejamento Estratégico.

7. Pedro Sampaio Malan   “É graduado em Engenharia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com PhD em Economia pela Universidade de Berkley.

8. Rodolfo Riechert  “É graduado em Economia pela Universidade Cândido Mendes.

9. Rodolpho Tourinho Neto   ”É graduado em Economia pela Universidade de São Paulo. “

10. Samir Zraick  “É graduado em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade Católica do Rio de Janeiro, Masters in Electronic Engineering.”

11. Aziz Ben Ammar  “É graduado em Administração de Empresas pela University of Southern California e licenciado em Matemática e Ciência da Computação Aplicada pela Universidade Rene Descartes.”

4 economistas, 5 engenheiros, 1 advogado e 1 administrador de computadores e um único MBA.

Por que estas pessoas, com exceção de Paulo Barbosa , aceitaram ser Conselheiros da Administração se nada entendiam de administração, muito menos de administração de empresas de petróleo?

Vou acreditar que eles achavam que suas funções era de dar Conselhos, tipo se os juros e o câmbio iriam subir a curto prazo, ou abrir contatos para o OGX.

E que está na hora do Conselho Federal de Administração exigir que se use o termo Conselho de Conselheiros e não Conselho de Administração.

Isto mostra a falta de conhecimento administrativo deste país.

Falta de QI Administrativo do Eike, do Conselho, dos investidores minoritários, da CVM, do BNDES, da Imprensa, da Míriam Leitão, da Bolsa de Valores, enfim de todo mundo que vive no Brasil.

Tanto que nesta semana o melhor jornal de negócios publica “existem rumores sobre ações bilionárias sendo preparadas contra seus administradores.”

Mas não cai a ficha de que estavam exercendo ilegalmente a função de administradores, razão pela qual espero que todos sejam condenados.

Ninguém sequer sabe que o que este país mais precisa é um mínimo de boa administração.

O segundo culpado é o BNDES, novamente dirigido por alguém que nunca estudou Administração  como seus 15 antecessores, a maioria professores de escolas de Economia.

Destes três protagonistas, Empreendedor, Conselho e Financiador, eu diria que quem melhor desempenhou o seu papel foi o Eike, apesar do seu fracasso.

Só para colocar um número, eu diria que  20% do fracasso da OGX foi culpa do Eike, 80% culpa do Conselho e do BNDES.

E estes, posso apostar, sairão totalmente impunes, mais ricos do que entraram.

No caso do Conselho aceitaram stock options milionários, algo muito questionável, para executar o que já deveriam executar por lei. Por que então mais incentivo?

Quem perdeu de fato foram aqueles que aportaram 50 bilhões de recursos de pequenos investidores  e poupadores para que alguns indivíduos pudessem brincar de Conselheiros de Administração, e Banqueiros competentes sem a menor formação.

Algo para se pensar.

Ps. Se você faz parte de um Conselho de Administração exercendo ilegalmente as funções de Administrador num Conselho, a nação encarecidamente pede que você submeta já o seu pedido de demissão.

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