Por favor, parem o BNDES agora

Por Empiricus

Domingo, almoço em família. Macarronada com molho vermelho e linguiça calabresa apimentada. Peço a todos: por gentileza, alguém impeça o BNDES de mais uma de suas maluquices. Estamos à beira de outro de seus absurdos, sem a menor justificativa econômico-financeira. Vamos do começo.

Você deve ter visto: o Brasil teve sua perspectiva de rating rebaixada nessa semana. Sofremos um alerta sobre deterioração das contas públicas, baixo ritmo de crescimento econômico e alguma criatividade na contabilidade nacional.

Em que pese a falta de credibilidade das agências de classificação de risco depois dos abusos deflagrados com a crise de 2008, nota soberana é coisa séria. Percepção junto a investidores estrangeiros também. E, ainda mais sério, é o esgotamento do atual modelo de crescimento econômico brasileiro – o consumo andou muito à frente das demais variáveis do PIB, a oferta agregada patina e não há mais como manter o investimento tão baixo.

Precisamos voltar a investir, principalmente em infraestrutura, fechando a defasagem da oferta agregada frente à demanda.

Ao melhor estilo Chapolin Colorado, quem poderá (ou poderia) nos defender e empurrar-nos em direção a um novo ciclo de crescimento? O BNDES.

Peço desculpas pela aliteração, mas não caberia ao banco nacional de desenvolvimento adotar uma postura desenvolvimentista, concedendo crédito a quem efetivamente precisa e focando nos gargalos de infraestrutura no Brasil, hoje o principal entrave ao crescimento sustentado e de longo prazo?

Mas sabe o que a turma do Luciano Coutinho está escolhendo fazer? Ouvir Amália Rodrigues e pagar pau para o penteado do Cristiano Ronaldo – como diria José Mourinho, Ronaldo de verdade só existe um. O fenômeno nasceu aqui e sempre elevou a nota brasileira.

Em vez de estimular o Investimento, nosso banco de fomento vai participar da capitalização da Oi, que agora terá controle português. Ora raios, alguém me explica o que quer dizer o “N” do BNDES?

Deixa-me recuperar um pouquinho de história para mostrar o quão absurdo é este movimento. Como todo mundo sabe, a Oi é resultado da associação entre Brasil Telecom e Telemar. Acho que vale a pena consultar este link (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1307200504.htm) em que o presidente da Telecom Italia à época fala um pouco sobre a movimentação societária. Não precisa explicar muito.

Sob argumento da necessidade de criarmos uma gigante nacional de telecom, que seria algo estratégico, simplesmente rasgamos algumas páginas do marco regulatório e mudamos o Plano Geral das Outorgas, que impedia sobreposição de licenças. Formamos a Oi com R$ 2,3 bilhões de empréstimo do BNDES – sem falar nos outros bilhões dos demais bancos públicos.

Olha, eu até me esforçaria para aceitar a perda de eficiência sob a argumentação política, de que era uma questão de soberania nacional. Mas e agora? Voltamos à colônia de exploração e queremos ajudar a matriz, é isso?

O BNDES errou feio lá atrás. Participou da criação de uma supertele nacional que hoje tem R$ 30 bi de dívida líquida e valor de mercado só de R$ 6,5 bi. Em vez de reconhecer a inadequação, volta ao mesmo erro, e ainda pior. Você usa o argumento de que o setor é estratégico para mudar o PGO e forma a super tele. Daí, ela vira portuguesa e você volta a colocar dinheiro. E sabe quem está pagando, meu caro? Não é o Luciano Coutinho, não. A grana vem do bolso da sociedade. É o seu dinheiro que vai pagar este fado.

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