Teoria Econômica Nobel de Economia premia teorias ligadas à gestão e aos mercados financeiros

Angelo Pavini – Arena

Três americanos que dedicaram suas carreiras ao estudo do comportamento dos mercados e são considerados referências para a atual gestão de recursos Eugene Fama, Robert Shiller e Lars Peter Hansen (na foto, da esquerda para a direita), são os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia deste ano.

O anúncio foi feito hoje pela  Academia Sueca de Ciências. O prêmio destaca que os escolhidos lançaram os fundamentos para o atual entendimento dos preços dos ativos. “Esse entendimento se baseia em parte nas flutuações de risco e atitudes de risco, e em parte em vieses comportamentais e fricções dos mercados”, diz a Academia.

O trabalho dos três engloba 50 anos de estudos e pesquisas, que começaram com Fama determinando que é difícil prever os movimentos dos preços dos ativos no curto prazo, o que levou à criação dos fundos de índice, que acompanham as oscilações dos mercados de forma passiva.

Mercado eficiente e gestão passiva

Ele é um dos pais do chamado conceito de mercado eficiente, no qual os preços se ajustam automaticamente às variáveis de mercado e econômicas, o que reduziria a chance de gestores vencerem o mercado. O que o gestor ganharia num momento, perderia no outro, pois a tendência seria sempre de equilíbrio. Nesse caso, o melhor seria aplicar em um fundo que simplesmente acompanhasse o mercado, como um fundo de índice, e que cobraria menos pela gestão passiva.

Fama também demonstrou que as chamadas empresas de valor (empresas subavaliadas pelo mercado com bons fundamentos econômicos) e pequenas companhias (small caps) têm retornos superiores às chamadas ações de crescimento (growth stocks). Ele rejeitou também a noção de que os mercados sempre produzem bolhas.

Já os trabalhos de Shiller e Hansen tiveram como foco os movimentos de longo prazo dos ativos, e como eles poderiam ser explicados por fundamentos como lucro, dividendos distribuídos aos acionistas e o apetite dosinvestidores por risco.  Dessa maneira, o Nobel reuniu duas posições diferentes, que até hoje vivem em conflito nos mercados de gestão de recursos.

Mercado imperfeito e bolhas

Shiller defendeu que os mercados são cheios de imperfeições e erros que exageram os preços dos ativos em determinados momentos e criam as chamadas bolhas, por problemas de assimetria de informação (alguns sabem demais, outros, de menos) ou movimentos de manada dos investidores.

Assim, gestores mais experientes poderiam tirar vantagens dessas imperfeições, comprando quando os preços estão excessivamente baixos e vendendo nos momentos de exagero de alta.

As imperfeições, inclusive, levaram à grande crise de 2008, prevista por ele. Na época, ele afirmou que o ajuste dessas imperfeições no sistema financeiro americano poderia levar décadas.

Em 1980, Shiller demonstrou que era possível facilmente prever os movimentos dos preços no longo prazo depois de descobrir que o valor das ações flutuavam mais que as variações dos dividendos pagos pelas empresas. E aplicou o mesmo princípio para papéis de renda fixa.

Detector de bolhas

Conhecedor das imperfeições do mercado, ele previu a bolha da internet no fim dos anos 1990, afirmando que a alta dos preços não era sustentável no longo prazo, e depois previu também a bolha imobiliária que se seguiu e culminou na crise de 2008.

Ele também foi um grande estudioso do mercado imobiliário americano, chegando a criar um índice, em parceria com Karl Case, o S&P/Case-Shiller, para acompanhar as oscilações de preços dos imóveis. O índice mostrou que os preços dobraram de 2000 a 2006 e depois caindo 35% com a crise.

Desde 2011, Shiller alerta que o Brasil também estaria vivendo uma bolha no mercado imobiliário, devido à forte alta dos preços e ao crescimento dos financiamentos.

Modelos para testar mercados

Já Hansen é um representante da Escola de Chicago e discípulo do polêmico economista Milton Friedman, defensor do livre mercado como força máxima da economia e contrário a qualquer intervenção do Estado. Hansen trabalhou com a dinâmica de modelos econômicos nos quais agentes de mercado tomam decisões em ambientes de incerteza. Com isso, ele buscou criar modelos econométricos compatíveis com as probabilidades de cada cenário.

Isso permitiu aos economistas testarem modelos econômicos em vários ambientes para detectar o que move determinado mercado. Os estudos são usados para tentar definir tendências de consumo, investimentos e preços de ativos em diferentes ambientes.

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