Bancos dos EUA têm custo de US$ 66,5 bi com litígios

Por Sergio Lamucci – VE

De 2010 para cá, os seis maiores bancos americanos chegaram a acordos que preveem o desembolso de US$ 66,5 bilhões em negociações referentes à crise de crédito e à comercialização de hipotecas de alto risco, segundo levantamento da empresa SNL Financial. Se incluídos na conta os acertos que o J.P. Morgan deve fazer com o Departamento de Justiça, de US$ 13 bilhões, e com investidores privados, de US$ 5,75 bilhões, o valor total aumenta para a casa de US$ 85 bilhões, aponta a consultoria. Além do J.P. Morgan, os outros bancos são Bank of America (BofA), Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley.

A maior fatia coube ao Bank of America, de US$ 43,9 bilhões, num cálculo que inclui negociações de pendências relativas ao Countrywide e ao Merrill Lynch, instituições adquiridas pelo BofA em 2008. Em janeiro deste ano, o BofA anunciou um acordo de US$ 10,3 bilhões com a Fannie Mae, uma das agências governamentais de financiamento do crédito imobiliário. O banco concordou em pagar US$ 3,6 bilhões em dinheiro e em recomprar US$ 6,75 bilhões em empréstimos hipotecários residenciais. Em maio, a instituição chegou a um acerto com a MBIA, uma seguradora, no valor de US$ 1,7 bilhão.

O acordo de US$ 13 bilhões entre o J.P. Morgan e o governo americano, se concretizado, será o maior relacionado aos problemas da crise de 2008. Nas últimas semanas, as negociações entre o banco e o Departamento de Justiça têm sido apresentadas como um sinal de endurecimento do governo com um gigante do sistema financeiro. No entanto, o valor a ser efetivamente pago pode cair para a casa de US$ 9 bilhões, devido à possibilidade de dedução de impostos. O acordo se refere a irregularidades cometidas na emissão e na comercialização de títulos lastreados em hipotecas.

Ontem, surgiram informações de que a negociação entre o J. P. Morgan e o Departamento de Justiça estaria em risco, devido à discordância em relação ao desejo do banco de ser parcialmente reembolsado por um fundo controlado pelo governo, segundo a “Dow Jones Newswires”. “Um ponto chave é se o J.P. Morgan ou a Federal Deposit Insurance Corporation tem responsabilidade ligada ao Washington Mutual, que o banco comprou durante a crise financeira”, diz a agência. As autoridades teriam se irritado com a proposta apresentada pelo J. P. Morgan.

As cifras bilionárias dos acordos não impressionam alguns analistas, como o professor William Black, da Universidade de Missouri, em Kansas City. Ao comentar o valor da negociação entre o J. P. Morgan e o Departamento de Justiça, Black observa, primeiro, que o acerto deve ser menor que os US$ 13 bilhões, devendo atingir US$ 9 bilhões na melhor das hipóteses. “É claro que é uma grande quantidade de dinheiro, mas é muito pouco se comparado aos ganhos dos executivos-chefes e de outros executivos, e ainda menos em relação às perdas causadas por essas fraudes, que levaram à crise financeira”, afirma ele, que atuou anteriormente na regulação bancária.

Black destaca ainda que, na crise das sociedades de poupança e empréstimo ocorrida nos anos 1980, houve mais de mil condenações criminais em casos de maior porte. Na crise atual, nenhum grande executivo foi condenado. Na semana passada, um júri considerou o BofA responsável por fraude envolvendo a negociação de hipotecas para a Fannie Mae e a Freddie Mac, assim como a executiva Rebecca Mairone, que estava na Countrywide na época das transações. O banco estudava alternativas para apelar da decisão, e o advogado de Rebecca afirmou que vai continuar “a lutar”.

 

 

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