Boas práticas são passo estratégico para abrir capital

Valor Econômico

A Quality Software S.A., que atua no ramo de tecnologia da informação, é um exemplo de companhia que vem seguindo a cartilha das boas práticas para crescer atraindo investimentos com a possível abertura de capital na bolsa. No mercado há 24 anos, a companhia foi classificada de médio porte ainda em 2008 e mantém firme o foco na adoção de melhores práticas de governança corporativas. A intenção é agregar valor ao negócio, garantir um crescimento consistente, aproveitando as boas oportunidades de mercado.

O primeiro fruto já veio em 2008, quando o BNDES adquiriu 27% de participação. A estratégia vingou e o próximo passo será se listar no Bovespa Mais, segmento de acesso da BM&FBovespa voltado às pequenas e médias empresas. A Quality já entrou com pedido de registro inicial de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aguarda o momento econômico propício para abrir capital.

“É difícil definir prazo para isso acontecer. O mercado é que vai nos dizer. Estimamos que seja um planejamento para os próximos 18 meses”, diz Britto Júnior, CEO da empresa. “O objetivo da captação de recursos é para implementar o projeto de crescimento através de aquisições. Hoje a empresa está começando esse processo, de forma tímida, com recursos provenientes da sua própria geração de caixa. A meta é expandir através de capital de terceiros”, afirma.

Estudo feito pelo movimento Programa de Aceleração do Crescimento para Pequenas e Médias Empresas (PAC- PME) estima que, ao facilitar a entrada dessas empresas na Bolsa, seria possível atrair R$ 84 bilhões em investimentos, além de aumentar a arrecadação de tributos e a geração de empregos. A previsão é que, caso as propostas sejam implementadas pelo governo, ocorreriam 750 aberturas de capital em cinco anos, cada uma com a captação de R$ 100 milhões. Desses recursos, 78% seriam utilizados como investimento nas empresas, que, por seguirem regras de governança corporativa, também conseguiriam mais recursos por meio de empréstimos.

Britto Junior lembra que “a companhia já exerceu a opção de obter recursos por um fundo (BNDESPar), e agora é a hora de ir ao mercado de capitais”. O objetivo é fazer uma listagem sem oferta. As vantagens, segundo ele, seriam estar preparado para ter acesso a recursos financeiros; redução do custo de capital; benefício da entrada de novos sócios que contribuem com visões diferentes para a companhia; alternativa para aquisição de outras empresas e a visibilidade, que pode ser vantajosa, em futuras negociações.

À época, a companhia recebeu aportes de R$ 6,8 milhões por parte do BNDESpar, que ficou com 27% de participação na empresa. “O faturamento da Quality, que na ocasião era de R$ 14,66 milhões, passou para R$ 25 milhões em 2012, um incremento de 70% no período”, relata. (RC)

 

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