Bye Bye 2013…… Welcome 2014!!!!!

Por: Annibal R. Lima

A economia americana termina o ano de 2013 com indicadores econômicos mais fortes; consenso político e; menor restrição fiscal, uma combinação que respalda um cenário de maior crescimento em 2014. Foi eliminada também a incerteza que cercava a política monetária, fator que manteve os mercados em suspense ao longo de 2013, alimentando a aversão ao risco, sustentando elevada volatilidade nos mercados internacionais. Uma mudança abrupta da política monetária americana em direção ao aperto monetário provocaria fortes alterações nos mercados de moedas e na estrutura de juros internacionais, o que colocaria em risco a incipiente recuperação observada na Europa, Inglaterra e mercados emergentes. A opção pela redução paulatina dos estímulos – as reduções ocorrerão a um ritmo de US$ 10 bilhões em cada encontro, terminando na última reunião do FOMC de 2014 – veio acoplada ao compromisso de iniciar a elevação do juro básico, hoje entre 0% e 0,25%, provavelmente não antes do final de 2015, segundo as projeções do próprio Fed.

Na China, o governo está empenhado em reformas estruturais que levem a um crescimento mais equilibrado, menos dependente do setor externo. O objetivo é assegurar um crescimento anual em torno de 7,5% pelos próximos anos. Uma ameaça a esse projeto encontra-se na elevada alavancagem do sistema financeiro local. Os juros do interbancário chinês têm atingido máximas recorrentes, obrigando o banco central da China a injetar maciços volumes de recursos. Reflexo de um cenário de redução paulatina da liquidez internacional, seguindo a alta dos juros longos americanos. A alta não se circunscreve aos juros de curto prazo, contaminando, também, as taxas longas, que mostram tendência de alta desde outubro último. Esse ambiente de instabilidade em meio aos esforços de contenção da expansão do crédito doméstico, a abertura das taxas de juros de curto e longo prazo aponta para crescimento econômico mais volátil e frágil, colocando em riscos a meta de um crescimento equilibrado desejado pelo governo.

Na Zona do Euro, 2014 não deverá passar desapercebido. Recrudescimento das tensões sociais, com manifestações populares em diversos países, pode incomodar as atuais forças políticas favoráveis à moeda única. O sistema bancário permanece emperrado, o crédito não flui, principalmente nas economias periféricas, apesar do corte de juros efetuado pelo Banco Central Europeu. O cenário é de crescimento modesto e heterogêneo, reflexo da manutenção das divergências de competitividade entre o centro e periferia.

Esses potenciais fatores de risco no âmbito internacional, com poder de refrear a retomada do crescimento global, conjugado ao quadro de baixa inflação nos EUA, podem levar o Fed a surpreender, estendendo o QE por mais tempo do que o inicialmente imaginado.

O Brasil que quase sempre andou na contramão da economia global está novamente nessa situação. Nossas contas públicas se deterioram, nossas contas externas também, a inflação circula próxima do teto da meta de 6,5% e o crescimento econômico é pífio, abaixo do potencial, menor que a média global, que a média dos emergentes ou mesmo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Há mudanças constantes em marcos regulatórios, a produção industrial beira a estagnação, os projetos de infraestrutura não deslancham e os investidores locais e internacionais estão arredios com os dados de conjuntura, concessões sem grande interesse e possibilidade de rebaixamento da nota de classificação de risco pelas maiores agências de rating.

Por aqui é fundamental que o governo produza choque de credibilidade, fixando as novas diretrizes de política econômica no rumo correto e que essas metas sejam cumpridas sem maquiagens. Meta de inflação factível e cadente, execução de superávit primário maior, déficit nominal menor e programas de privatização e concessões que atraiam os maiores parceiros internacionais e não aventureiros; seriam absolutamente requeridos, assim como melhor tratamento para a taxa de câmbio flutuante.

Isso para não falar na necessidade de reforma fiscal e tributária imprescindíveis, diria que a da Previdência (talvez a mais difícil) também, principalmente na equalização do aposentado do setor público ao do setor privado. O Brasil segue sendo um dos raros países que exportam tributos. 2014 é ano de eleições majoritárias e, como tal, não é de se prever maior controle das contas públicas. Ao contrário, podemos intuir medidas tendentes ao populismo e conchavos políticos-eleitoreiros que certamente atrapalham o bom andamento da economia e distorcem a LRF (lei de responsabilidade fiscal).

 

 

 

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