O juro na perspectiva dos leitores

Uma perspectiva do que pensa o mercado. Vale a pena a leitura……

Angela Bittencourt – VE

O dinheiro custará mais caro em 2015 e ninguém duvida. O quanto mais caro é arriscado prever. A orientação da política monetária do próximo governo poderá sofrer ajustes que dependerão  (também) da  composição da equipe econômica do presidente da República que será eleito em outubro. O fato de a presidente Dilma Rousseff ser favorita à reeleição não diminui a expectativa com o perfil da área econômica em um segundo mandato. Ao contrário, aumenta.

Um rápido bate-papo com os leitores do site do Valor, comentaristas frequentes do noticiário, sobre as perspectivas para a Selic no ano que vem é revelador. Alguns leitores, embora com abordagens diferentes, não estabelecem limites para ajustes da Selic, alertam para o fato de o Tesouro Nacional  já garantir taxas de retorno bem atraentes – e salgadas — aos compradores de títulos federais e resistem a comparar taxas de juros brasileiras com as de outras economias  porque o histórico recente pouco tem de similar.

“Não há limite para a alta da Selic se considerarmos  uma nova equipe econômica. Equipe essa que terá foco no zelo da estabilidade econômica e financeira”, comenta o leitor Rafael que alerta, contudo, para a possibilidade de a equipe ter um perfil mais político [menos técnico]. “Com uma equipe mais política voltaremos a testar limites entre [alta de] juros e inflação. E sabemos que nesses testes o mercado financeiro reage negativamente.”

O leitor FAF é exceção porque vê o céu como limite para a alta da Selic. Ele considera que o país já tem uma “bomba inflacionária montada” com a defasagem de preços dos derivados da Petrobras. E há o risco de potencialização dos efeitos dessa “bomba” pelo que denomina “déficit primário ex-contabilidade criativa”.

A gasolina e o diesel ainda apresentam desconto da ordem de 20% levando-se em conta a paridade internacional de preços, acrescenta FAF que defende a correção imediata dos combustíveis. A leitora Larissa, também focada na defasagem entre preços domésticos e externos dos combustíveis que abatem a Petrobras, recomenda a divisão do ano de 2014 em dois períodos (pré e pós-eleição) para qualquer avaliação. E calcula que “após o período eleitoral, a Petrobras reajustará os combustíveis em 15% ou irá à falência.” A partir daí, pondera Larissa, “a Selic vai para a casa dos 13% fácil”.

“Mas 13% ao ano já é uma taxa de retorno que o Tesouro aceita pagar aos compradores de títulos mais longos”, argumenta Rafael. O leitor “rsfw.112” não descarta Selic em até 15% “especialmente em função do que percebemos na remuneração de alguns títulos federais, as NTNs, que o governo  jogando para cima continuamente”.

Eloy Rodrigo Colombo estranha o fato de não se discutir a razão pela qual os investidores emprestam recursos ao governo [ na forma de aplicação financeira em dívida pública] cobrando juros anuais em torno de 13% ao ano em “reais” e pouco mais de 6% ao ano quando o título público é denominado em dólar, libra ou euro.

Esse leitor considera um equívoco  a avaliação rotineira de que o mercado está dando mostra de confiança no Brasil, quando o governo  levanta  recursos com a venda de bônus a 6% ao ano.  “[Quem faz essa avaliação] ignora que tal título de dívida é uma moeda estrangeira  e ignora o juro de mais de 13% pagos na colocação de títulos em ‘reais’ [negociados no mercado doméstico]”, afirma Eloy que vê o diferencial entre os juros em ‘reais’ e em ‘dólares’ como ‘proteção’ que o investidor demanda contra uma possível desvalorização do real em torno de 100%.”

E a desvalorização é consequência da inflação brasileira que não fica abaixo de 6% em 12 meses, acrescenta Eloy que vê a Selic [no patamar em que se encontra] só está servindo para atrair dólares ao país com o objetivo de segurar o câmbio e por consequência a inflação [em determinados segmentos], “pois o governo continua mandando lenha na fogueira [da inflação] com todos os subsídios que só aumentam .

“Enfim, temos de volta a década de 1980, subsídios que levam ao superendividamento do governo e à multiplicação da base monetária que leva a hiperinflação. E a Selic vai tender no mínimo aos 13% que o investidor já pede ao governo. Esse é meu palpite, é o que eu enxergo hoje. Amanhã é amanhã”, diz Eloy.

Com projeção  e Selic de até 13% ao ano em 2015, o leitor Ottorino  lembra que as instituições Top 5, que mais acertam na pesquisa Focus [de médio prazo], projetam  Selic a 11,50% no fim deste ano. Ele entende, porém, que provavelmente com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o cenário vai piorar em 2015. E faz dois lembretes. Primeiro, que ainda estamos em janeiro de 2014. Segundo, que os analistas não conseguem acertar as previsões de indicadores há três anos.

 

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