A ação queridinha do mercado assusta minoritários com oferta

Venda de R$ 1,7 bilhão em units irá diluir os acionistas, mas analistas veem a decisão como positiva

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São Paulo – A Klabin (KLBN4anunciou ontem à noite os detalhes do bastante esperado projeto para a construção de uma fábrica de celulose na cidade de Ortigueira (PR), mas não sem grandes surpresas para o mercado. A reação incial dos investidores foi negativa. Na mínima do dia, até às 10h35, as ações apresentavam queda de 9%.

A fabricante de papéis especiais e, em breve de celulose, tem sido uma das preferidas dos analistas do mercado nos últimos meses e tem desfilado com frequência nas carteiras recomendadas dos principais bancos e corretoras.

Enquanto os investidores esperavam a criação de uma nova empresa e a participação de um sócio para dividir os aportes, a solução encontrada pela administração foi a de tocar o projeto sozinho. E isso traz várias implicações novas para os acionistas minoritários.

“São inúmeros os desafios que a Klabin tem pela frente, e por isso os acionistas controladores entendem que é chegado o momento de darem um novo passo de consolidação da governança”, disse a empresa em um comunicado enviado ao mercado.

O projeto

Conhecido como “Puma”, o projeto terá um investimento estimado em 5,3 bilhões de reais e demandará uma oferta pública primária de 1,7 bilhão de reais em units (certificados de depósito de ações). A Klabin terá ainda o apoio do BNDES para fazer frente ao restante do financiamento, agências multinacionais de importação.

Uma área de 107 mil hectares de florestas, já plantadas e avaliadas em 1,5 bilhão de reais, também faz parte do projeto. Com isso, o valor sobe do investimento sobe a 6,8 bilhões de reais. “O raio médio entre as florestas e a planta é de 74 km, o que assegura a competitividade e o baixo custo de transporte de madeira”, comentam os analistas da Planner Corretora, em relatório.

As mudanças

Hoje com apenas ações ordinárias e preferenciais no mercado, a Klabin propôs a conversão das ações ordinárias em preferenciais, e vice versa, para chegar à composição proposta para cada unit, que é de 1 ação ordinária e 4 preferenciais.

A operação resultará em acréscimo de 15 % no número de ações ordinárias detidas pelos controladores e uma diluição de cerca de 3 % do capital social para os demais acionistas.

A empresa também solicitou à BM&FBovespa a migração para o nível 2 de Governança Corporativa.

Com isso, os acionistas terão o direito de tag along de 100%, ou seja, no caso de um comprador realizar uma oferta de compra da empresa aos controladores, ele também precisará estender aos demais acionistas minoritários a oferta em condições idênticas.

Efeito positivo

“Sentimos que o anúncio tem mais prós do que contras. Apesar de a proposta de reestruturação acionária causar diluição para os acionistas minoritários, isso adiciona uma fábrica de 1,5 milhão de tonelada de celulose com custos atrativos”, avalia a analista Catarina Pedrosa, do BES Investimentos, em relatório.

Ela calcula que a proposta pode adicionar cerca de 2,30 reais ao preço justo para as ações da Klabin, que hoje está em 14,50 reais.Por enquanto, a analista ainda não alterou esse valor, mas já elevou a recomendação de neutra para compra.

“Apesar do anúncio da oferta possa pressionar no curto prazo, reiteramos a compra. Após o anúncio, a Klabin se torna efetivamente uma história de crescimento, com a administração focada na otimização da base de ativos e na entrega de crescimento de volume ao longo dos anos”, ressaltam os analistas do Bank of America Merrill Lynch, Thiago Lofiego e Karel Luketic.

O estrategista do Itaú BBA, Lucas Tambellini, disse hoje em um chat com clientes que o projeto pode adicionar 4 reais ao preço justo às ações da Klabin para 2013. Atualmente, o valor estimado pelo banco é de 16 reais e a recomendação é de desempenho acima da média do mercado.

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